Ari Lima faz neste livro uma incursão primorosa no universo do chamado pagode baiano, retirando com mestria o gênero da zona de estigma. O autor historia e analisa essa prática social urbana articulando criativamente na sua crítica cultural os conceitos de raça, gênero e classe social. A pesquisa etnográfica realizada e a consistência teórica desse ensaio resultam numa leitura acurada do pagode baiano entendido como expressão estético-comportamental de jovens negros e pobres no seu esforço de integração a uma sociedade marcada pelo racismo. Putões , moleques , periguetes , viados e outros atores aparecem da rede relacional do pagode baiano, cuja dinâmica e trajetória ganham aqui interpretação original e apropriada.