Em UM RETRATO FIEL DA BAHIA: sociedade-racismo-economia, Silvio Humberto Cunha evidencia o processo de transmutação que o “olhar racial” sofreu e como ele foi sendo progressivamente obnubilado pelo pensamento social brasileiro, a ponto de transformá-lo em um não problema. Ao analisar as especificidades que envolvem a transição para o trabalho livre no Recôncavo Baiano, a obra contribui para o debate em torno da heterogeneidade da formação brasileira; examina o processo de reorganização do trabalho no pós-Abolição na região, dando destaque para o papel desempenhado pelos controles sociais e raciais exercidos sobre a população negra e para as estratégias de sobrevivência e movimentos dessa população; e investiga o caráter estruturante do racismo nas relações de poder, como as hierarquias raciais e sociais foram mantidas. Em outras palavras, o autor oguniza a História Econômica brasileira, abrindo caminhos para a visibilidade dos aspectos raciais e econômicos como pilares na construção da sociedade brasileira.