A publicação pretende problematizar, a partir de diferentes abordagens teóricas e metodológicas, possibilidades de existência simbólica para além dos modelos compulsórios, e sempre violentos, da heteronormatividade e do etnocentrismo. O foco de análise dos artigos incidirá sobre aqueles corpos que teimam por se distanciar desses modelos, desa?ando normatividades e ensaiando novas possibilidades existenciais. Invocada no título do livro, a abjeção contrapõe-se à existência cultural por ser o resultado direto do gesto marginador realizado pela norma sexual e étnica dominantes. Dessa forma, os textos da coletânea re?etirão sobre as seguintes questões: se o corpo só é possível por meio do selo das normatividades, os sujeitos marginados, aqueles localizados nos limiares da inteligibilidade social, seriam viáveis em quais termos? Como seria possível existir apesar da imposição de normalidades? A abjeção responde, em parte, a esses questionamentos, sugerindo a subversão como maneira alternativa de estar no mundo, e, ao mesmo tempo, chamando a atenção para o lugar simbólico desses corpos enquanto sobras da norma.