Nos contos de Te Pego Lá Fora , o autor executa habilmente a difícil (e raras vezes atingida) transposição da oralidade cotidiana da periferia para uma expressão literária. Formas coloquiais como prôfi , prussôr ou quem quisé fazê permeiam os textos, amparadas pela versatilidade formal que vai do microconto ( Pedido Irrecusável , Medo ) à dramaturgia de A Queda , passando por narrações em primeira pessoa ( O Livro Negro , Um Estranho no Cano ) e cômicas histórias estruturadas em diálogos como Socá pra dentro e Boi na linha . A resistência armada de palavras prevalece no beligerante ambiente escolar, mesmo no embate com o corporativismo afetivo das autoridades ( Papo Reto ). A divisão do livro em estações do ano é engenhosa, gerando uma leitura vertiginosa, potencializada pelos grafismos hipnóticos da edição que lembra um caderno escolar. Os contos finais, significativamente os da primavera, sedimentam o triunfo da literatura para além do simples salvacionismo, tanto contra o bullying ( Poeta ) como contra a descrença (o conto-manifesto Literatura (é) possível ). A escrita marginal de Ciríaco expõe com destemor os problemas centrais do Brasil contemporâneo.