Um soldado brasileiro no Haiti mescla memórias do ríspido processo de formação imposto pelo Exército brasileiro com o relato de uma desumanidade sem precedentes, testemunhada pelo autor durante a missão de paz enviada pela ONU ao país caribenho. Ambos o embrutecimento da vida militar e a violência política em nome da qual civis são metralhados representam a face da mesma moeda, que alimenta os sonhos de ascensão social dos soldados e a indústria armamentista que promove golpes de Estado e intervenções pacificadoras .
O relato de Taylon Ruppenthal nos lembra como no Exército do Brasil ainda há espaço para o discurso golpista e a arrogância teatral das relações de caserna , além de disposição para aderir à violência institucionalizada em troca de prestígio internacional, cumprindo um ritual de dar aparência de consenso ao que é apenas a vontade de um Estado único . Elias Ribeiro Pinto, Diário do Paraná, 30 set. 2007. Caderno D, p. 7