A solidão fez morada em mim por seis longos anos. De início, não a percebia - estava em negação - e a combatia a todo custo. Corri para os livros em busca de entender o que se passava em mim. Foi, então, que surgiu a ideia de trabalhar a (minha) solidão como temática em arte. Publiquei nos jornais e afixei em locais de grande circulação de pessoas o anúncio Sinto-me só. Escreva-me carta de amor. , com endereço para correspondência. Por dois anos, conversei com desconhecidos, tendo esse sentimento como propulsor. Este livro não é apenas desabafo ou conciliação com a minha história. Antes de tudo, trata-se de uma conversa sobre um sentimento comum, pelo qual todos passam alguma vez na vida, mas evitam comentar, pois é visto como um mal. Trata-se de um trabalho intersubjetivo. Aqui, você vai encontrar percepções, questões, desdobramentos que partem da troca com pessoas, numa experiência estética relacional na qual arte e vida caminham abraçadas.