Poesia desuniformizada é um livro que nasce no calor das máquinas, no apito da sirene, na dobra do turno. Thiago Gatti, filho de um metalúrgico e de uma costureira, tece poemas como quem manuseia ferramentas: afiadas, precisas, capazes de rasgar o tecido áspero da rotina operária. São versos que rangem como engrenagens, faíscam como soldas, mas também costuram esperanças nos bolsos do uniforme. Aqui, cada poema é um ato de desuniformizar: romper padrões, expor fissuras do capital, libertar o corpo e a palavra da máquina que esmaga, é para quem já acordou antes dos galos, para quem ainda borda futuros no avesso do turno e para quem acredita que há vida além do trabalho. Poesia desuniformizada é convite e faísca: entre, leia, transforme-se.