A sociolingüística variacionista traz, desde seu surgimento, a marca dos conflitos políticos e ideológicos, uma vez que Labov criou um instrumental teórico capaz de aniquilar o mito da deficiência verbal das classes sociais subjugadas, estabelecendo a lógica gramatical inegável dos dialetos considerados não-padrão, isto é, das formas de falar das comunidades excluídas do poder e do controle social. Essas idéias refutam consistentemente a classificação das formas lingüísticas em certas e erradas e provam que a língua padrão é tão somente um construto sociocultural e ideológico, que nada tem de intrinsecamente bom, bonito e elegante.