Oxóssi, também conhecido como Odé, é a divindade da caça, grande provedor e guardião de sua comunidade. Neste livro, Vagner Gonçalves da Silva e José Pedro da Silva Neto apresentam historicamente o culto de Oxóssi em África e no Brasil. Os autores também analisam como o culto de Oxóssi foi mantido no país sob a ótica da cosmologia africana, ao traçar associações entre o caçador divino e os santos católicos São Jorge, São Sebastião e São Miguel Arcanjo. Além disso, informações sobre as vestimentas, oferendas, folhas, cantigas, danças, festas e características dos filhos de Oxóssi são trazidas detalhadamente na obra.
Oxóssi, orixá caçador, provedor e protetor, tem um papel importante para o povo ioruba da África Ocidental, pois ensina o respeito e o cuidado que deve existir entre seres humanos, divinos e naturais (como animais e plantas). Neste livro, Vagner Gonçalves da Silva e José Pedro da Silva Neto nos conduzem pelas trilhas das florestas e das cidades africanas, revelando as raízes desse orixá tão popular lá e aqui. Por uma viagem que atravessa oceanos e séculos, ficamos sabendo como o culto a esse orixá se estabeleceu nas comunidades africanas e afro-americanas para onde migrou, recriando tradições e fortalecendo identidades, num diálogo entre as populações originárias e seus descendentes, sobretudo no contexto brasileiro. Mais do que um relato histórico ou religioso, o livro oferece uma reflexão profunda sobre a resistência cultural dos povos africanos, bem como sobre sua ancestralidade e espiritualidade vivas. Além disso, os autores evidenciam que as práticas ligadas a Oxóssi e Odé (ioruba), Mutalambô e Cabila (banto), Agué (jeje) e aos caboclos brasileiros compartilham estruturas rituais e simbólicas, confirmando que, do lado de cá do Atlântico, Oxóssi permanece reverenciado como guardião das matas e provedor de sua comunidade, símbolo de sabedoria, astúcia e reverência à natureza. Assim, a obra une celebração à vida, à diversidade e à força dos povos africanos e afro-brasileiros, com o rigor da pesquisa antropológica, que torna nosso estudo certeiro e nosso aprendizado farto. Rosenilton Silva de Oliveira Professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo