A obra O Reciclador de Palavras, de Barbara Parente, narra a história de Luiz, retirante cearense que encontra na reciclagem o sustento para a família deixada no sertão e descobre nos livros um novo sentido para a vida. A narrativa envolve o leitor de várias maneiras, a começar pela expectativa quanto ao destino do retirante em São Paulo: passados alguns meses de trabalhos esporádicos que nem sequer lhe garantem o sustento, Luiz vai conseguir vingar na megalópole? Depois, o leitor é cativado pela relação de afeto construída com o jovem André, que mora em frente a um dos locais onde Luiz busca materiais recicláveis. Vasculhando o lixo, o retirante encontra livros que lhe servem não apenas para reavivar o gosto pela leitura, como para ensinar crianças em situação de rua a ler e se encantar também com a literatura. Por que nunca aproveitei para ler aqueles livros da biblioteca da escola?, pensou ele, lamentando. Sentou-se, então, no meio-fio da calçada e se pôs a observar as capas, os títulos, as ilustrações. Começou a ler uma história; depois, passou para um poema; distraiu-se, riu sozinho, emocionou-se, o tempo passou e ele nem percebeu. Dentro daqueles livros, havia uma riqueza que valia mais que muitos dias de trabalho exaustivo. Com eles, sua labuta parecia se abrandar, como se aquelas histórias fossem magia e servissem de alívio para o corpo, uma viagem suave para a mente. Um mundo novo se abria para ele; um mundo que agora estava diante dele, que brilhava como ouro dentro de cavernas inexploradas. Agora, havia tempo para desfrutar da leitura, havia tempo para si mesmo!