A Justiça Restaurativa está em voga atualmente, mas pouco se fala sobre o papel da comunidade, parte importante das práticas restaurativas segundo os autores mais renomados. Este livro baseado em pesquisa de campo no núcleo da Justiça Restaurativa em Aracaju foca na importância e no papel que a comunidade poderá exercer com sua participação mais efetiva. E porque traz a realidade verifica que a participação é bem incipiente mas mesmo sendo reduzida, aponta que quando a comunidade se engaja no acompanhamento das partes e do acordo entabulado após as práticas restaurativas os efeitos positivos podem ser sentidos, tanto para vítima e ofensor que percebem que mais pessoas se importam, quanto para a comunidade que constata o diálogo como ferramenta eficiente para resolver conflitos. Inspirado nos ensinamentos de Teresa Caldeira, Paulo Freire e Boaventura de Souza Santos, constatou-se que a participação ativa das pessoas nas práticas restaurativas, entabulando acordos cujo teor diferem das resposta-padrão típica do Judiciário, poderá auxiliar em uma abertura democrática deste poder, usualmente acostumado com a participação popular compulsória e silenciosa do Tribunal do Júri. Entende-se que as pessoas precisam se aproximar da Justiça e a Justiça das pessoas e a atuação das pessoas nas práticas restaurativas em um diálogo aberto e franco, irá empoderá-las para a cidadania e também influenciar as práticas jurídicas com potencial para democratizá-las.