Ambientado entre o interior e a capital do Rio de Janeiro da década de 1920, este romance conta a história de Ernestina, criada em um lar amoroso e tradicional, preparada para ser esposa e mãe. Recém-casada com Julião, rapaz de família defensora da moral e dos bons costumes, ela imagina obter afeto e cuidado, mas depara com a frieza do marido, que se ausenta por longos períodos para tratar de negócios .
Ao ganhar um concurso de charadas promovido por uma chapelaria no centro do Rio, Nenê viaja para buscar o prêmio, e dali em diante nada será como antes. É arrastada para um jogo capcioso, em que precisa descobrir quem de fato é seu marido e qual teria sido a relação dele com Bernarda de Sá, personagem que transita pela narrativa como o espectro da mulher que Nenê jamais pensou em ser: glamorosa, lasciva e livre. Quando decide assumir um pouco da personalidade de Bernarda, Nenê tem sua sanidade questionada e arrisca tudo para se aproximar da verdade.
Nenê Bonet, romance folhetinesco publicado em 1980 por Janete Clair, primeiramente em capítulos na revista Manchete, é um tesouro não só para os fãs da autora, mas para qualquer um que deseje ser capturado por uma narrativa com reviravoltas, falsas pistas, personagens enigmáticos e diálogos pungentes que só poderiam ter sido concebidos pela mão talentosa da maga das oito , uma das maiores novelistas da teledramaturgia brasileira.