A história da Mulher de Roxo se confunde com a história de Salvador nas décadas de 1970 e 1980. Figura popular, ímpar e inesquecível, a imagem dessa mulher continua presente no imaginário coletivo do povo baiano, cercada de mistérios e folclores. Neste livro, a jornalista Patricia Sá Moura conta algumas das versões mais conhecidas para o surgimento da personagem, suas origens e caminhos. Não se pode dizer exatamente qual a verdadeira, até porque, se a memória da Mulher de Roxo permanece viva, é justamente porque se transformou em um mito. E mitos são cercados de verdades improváveis e mentiras repetidas. Além do mais, como diria John Ford, se a lenda é mais divertida que a vida real, publique-se a lenda. Independente de contar a história verdadeira, este é um trabalho de pesquisa, os fatos contados e as pessoas nele retratadas são reais, foram pesquisados e checados. O que existe, além disso, é um pouco de romance, para fazer jus à Mulher de Roxo, tão impregnada de simbolismo. Sem precisar o tempo em que os fatos acontecem, o livro narra o dia a dia da Mulher de Roxo, seus hábitos, vestimentas, lugares por onde passava e o que gostava de comer, traçando um perfil biográfico da personagem, ao longo das versões sobre seu surgimento nas ruas, deixando para o leitor a tarefa de descobrir qual a verdade. A Mulher de Roxo não era uma artista, não vivia no meio político, nunca frequentou as altas rodas da sociedade nem foi homenageada por seus feitos intelectuais. A única coisa que fez – e ninguém o fez com tanta maestria – foi estar nas ruas de Salvador, como se fosse dona do seu destino e do espaço que ocupava. É essa atitude que faz dela senhora dos seus caminhos e da sua história.