A mulher de barro é uma mulher que se recria artesanalmente a partir da palavra.
É a metáfora da construção e reconstrução de si através de narrativas poéticas e elementos simbólicos que contam e reescrevem a sua história de vida.
Esta obra versa sobre um fio vermelho ancestral que percorre meu corpo, conectando-me com as mulheres que vieram antes: mãe, avós, bisavós, tataravós, mulheres que, em seu espaço-tempo, viveram, sangraram, curaram, sofreram, gestaram, criaram e amaram.
Deseja dar voz aos sussurros que ecoam na sabedoria das águas, mares e rios, na lama, no mangue, no vento, na mata; territórios e paisagens que nos constituem na carne, figuram em cenários de liberdade, despedidas, escolhas e reexistências.
Neste livro, passeio pelas origens, raízes e heranças de onde parto. Revelo o grito coletivo, o sangue, o trauma e o luto. Depois, acesso os tesouros e os dons. Sigo para os sentidos: a voz que não quer mais calar, os ouvidos de ouvir a musicalidade, os olhos de ver presença e o prazer que mora em habitar este corpo de mulher.
E, por fim, miro o novo e o prazer de existir Mulher de Barro, feita de água e de terra, que representa aquilo que desejo me tornar e o que podemos ser.