Essa edição de Marádida – uma luz no fim do túnel, de Cacau Novaes, é comemorativa aos 20 anos de publicação da sua edição original, obra que foi selecionada pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e publicada em 2002 pelo Selo Editorial Letras da Bahia (Secult/Funceb), cuja comissão responsável pela seleção das obras a serem publicadas era formada por Adinoel Mota Maia, Aleilton Santana da Fonseca, Gerana Costa Dulamakis, Hélio Pólvora de Almeida, Mário de Macedo Calmon Bitencourt e Waldir Freitas Oliveira. Abaixo, o parecer emitido pelos membros da comissão.
“Kafka, Proust? é difícil precisar a matriz ficcional a que filiar este texto. Essencialmente subjetivo, lembra pinturas modernistas que desafiam a leitura. A palavra Marádida, inventada pelo autor, significa “fantasia do irreal que se concretiza por instantes e depois só permanece em nossas mentes”. Uma visão fugidia e, entretanto, permanente de um lugar que poderia ser chamado de Shangri-Lá ou outro espaço ideal concebido pela imaginação. É para a mítica Marádida que se dirige o pensamento desse ficcionista, quando sonha ou quando a ele se junta a companheira dos momentos de amor. No entanto, encontra propósito, sem perturbar o curso da narrativa, para falar de suas reflexões e também para comentar problemas sociais, como, entre outros, o das favelas que circundam as grandes cidades. O texto é maduro e lírico, retórico e lúdico, original e com forte caráter pessoal, por isso mesmo invulgar.”