O título do livro foi sugerido por uns versos de Jorge Luis Borges: O esquecimento também é uma forma de memória./ O seu vago porão/ a outra face, oculta,/ da moeda . Aquela que muitas vezes escapa do porão e vem à tona, como um fantasma. Ora, uma das artes do bom cronista é exatamente conciliar o efêmero, aquilo que logo será esquecimento, com o que fica na memória. As duas faces da moeda são fundamentais ao mais volátil dos gêneros literários, gerado ao calor da hora, esmiuçando e tentando entender o fato ainda vivo e palpitante. Crânica é crânica, mas tem também muito de jornalismo, de aventura no cotidiano e de curiosidade de repórter. Essas características estão muito vivas em A Memória e o Esquecimento, não fosse Rodolfo Konder jornalista de formação e paixão, freqüentador constante de vâos internacionais, com os mais diversos destinos, nos quais costuma também incluir os seus leitores.