O nome de Maria Adelaide Amaral começou a se tornar conhecido do público em 1978, com a estreia de Bodas de Papel. O sucesso se repetiu no ano seguinte, com a encenação de A Resistência, a primeira peça escrita pela autora, que havia quatro anos aguardava o momento de subir à cena. A Resistência reproduz o ambiente de redação de uma revista em decadência, na qual a autora trabalhava, tendo como pano de fundo o clima político de 1970. A peça se desenvolve em um único dia de trabalho, sugerindo duas realidades complementares, as angústias, esperanças, descontentamentos dos jornalistas em relação à empresa, à carreira, ao cotidiano e à atmosfera de repressão política e cultural, cuja realidade se impõe de maneira indireta, mas indisfarçável. A ação de Bodas de Papel se limita a três horas da vida de um grupo de pessoas, encerradas em um apartamento de luxo, convidadas para um jantar, envolvidas numa espécie de jogo do poder. Os conflitos nascem e se aguçam ao choque de sentimentos e interesses, revelando seres frágeis, egoístas, isolados em si mesmos, sem objetivos na vida, exceto o sucesso financeiro, frustrados, mas ansiosos de se impor aos demais. De Braços Abertos aponta mais uma vez para as dificuldades de relacionamento dos seres humanos. No caso, um amor ameaçado pelo ciúme, a frustração, as diferenças de classe social, e envolto num clima de permanentes provocações e desavenças, acirrando o sofrimento recíproco. O mesmo desejo incontrolável de ferir e provocar o outro, a incompreensão e a incomunicabilidade formam o clima de Querida Mamãe, retrato de uma relação conflituosa de mãe e filha. Aqui, como nas outras três peças citadas, reunidas no Melhor Teatro Maria Adelaide Amaral, como observou Sábato Magaldi, ao tratar de um caso particular, tem o dom de deitar luz sobre a generalidade das coisas .