Em um arco de mais de mil anos, que abrange da pré-história do capitalismo – com suas eras colonialista e imperialista – às revoluções burguesas que sustentaram o capitalismo e às revoluções comunistas que a ele se opuseram, La Berge demonstra como os gatos têm sido compreendidos há muito tempo como criaturas de viés libertário: “Esta é menos uma história radical de uma única espécie que uma história de como os felinos e os humanos transformaram uns aos outros em seres radicais – radicalmente progressistas e radicalmente conservadores”.
La Berge explora o papel dos leões, cuja bravura foi muitas vezes exaltada por reis e imperadores, e a presença dos gatos selvagens nas instituições financeiras, mostrando, ainda, como os felinos também inspiraram lutas, partidos e movimentos. Ao longo do livro, revisita ideias e teorias de Marx e argumenta que os felinos são centrais para a forma como marxistas imaginaram a economia; ao perguntar o que humanos e animais devem uns aos outros em um momento de crise ecológica, insere-se nos debates sobre ecossocialismo. Neste bestiário radical ilustrado, evidencia-se que a luta de classes é, em última análise, uma colaboração entre espécies.