O trabalho investiga a projeção de idéias e valores característicos do universo das artes sobre o objeto de estudo música popular tal como construído por artistas. São analisados textos de dois coletores de canções populares comprometidos com projetos de modernização artística no século 20: Mário de Andrade e Bela Bartók. Procura-se reconstruir o diagnóstico modernista dos males do século e identificar, nas motivações explícitas da ruptura proposta, questões que repercutem ou são reproduzidas nas etnografias da canção popular. Por meio do comentário das concepções de povo, nação, arte e cultura dos dois autores, atenta-se esclarecer a lógica do ideário que pretende fundar, na herança cultural e artística tradicional ou primitiva, uma arte moderna.