Sabe, pai, às vezes me pergunto o que faz um país ser um país. Quando era pequena, eu adorava copiar do atlas as linhas do nosso país colorido. Hoje sei – porque ouvi um astronauta dizer – que lá de cima não se enxergam as fronteiras que nos separam dos nossos vizinhos. Então, o que é isso que faz a gente se sentir brasileiro? Você sempre entendeu e explicou esse sentimento com muitas formas e cores. Uma vez, quando a tristeza molhou a sua esperança, você desenhou a bandeira refletida dentro de uma lágrima cristalina. Mas depois, para consolar o seu e os nossos corações, fez um menino correr com a bandeira espalhando estrelas pelo chão. Esse retângulo, para você, nunca foi a bandeira oficial dos patriotas e dos nacionalistas. Foi sempre um campo verde, amarelo, azul e branco em que você semeava suas esperanças com estrelas. Igualzinho àquele menino! Você sempre soube que o que faz um país ser um país é a imaginação viva de quem está com os pés no chão. Hoje, olhando de novo para os seus desenhos, pensei: era você que desenhava a bandeira ou foi ela que te desenhou? Laura Huzak Andreato