O obra nos propõe uma profunda reflexão sobre a condição humana, sobre assumir uma atitude humana diante da vida. A narrativa na primeira pessoa, em alguns momentos, imprime ao texto um tom mais intimista, ora poético, ora agressivo, ou com pitadas de ironia. A referência de Humanidade ganha ênfase na figura da mulher negra, como mãe e guerreira, progenitora de toda a vida na Terra.
Para representar o colonizador e todo o sistema predatório ao qual ele serve, temos como alegoria a figura do bárbaro: ser cruel, ávido de poder e riqueza. Beidi nos leva a refletir sobre questões políticas, socioculturais e econômicas decorrentes do processo traumático de colonização sofrido em África, utilizando linguagem metafórica e simbologias. Para o autor, a mulher negra constitui em si mesma a força de matriz africana que, desde os primórdios do processo civilizatório, move a Terra gerando e nutrindo vidas e, justamente por isto, é digna de todo o respeito e veneração.
Francis Beidi é promotor do Salão Internacional do Escritor da República dos Camarões/África há muitos anos e é Presidente fundador da ALISE-Auteurs Pluriels (Associação dos Atores do Livro e do Espetáculo), fundada em 2007. É curador e organizador de residência de escritores e mostras de arte. Saiba mais sobre Francis Beidi no site do Projeto Entrelinhas, que trouxe o escritor ao Brasil em novembro de 2019.