Geração 2010: o Sertão é o Mundo
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Geração 2010: o Sertão é o Mundo

Autor: Krenak, Ailton

Cód.: 150824
R$ 54,00 2 x R$ 27,00 sem juros
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p Antologia com 25 autores - surgidos na literatura brasileira contemporânea a partir da década de 2010.  Em comum, esses autores, ponta de iceberg de um movimento literário maior que eclodiu na década de 2010, tinham o fato de virem de fora dos centros de poder do Brasil, serem parte de grupos discriminados, produzirem uma literatura épica e poética e não terem começado suas carreiras apadrinhados por grandes editoras.   /p p Observando esse movimento - que nasce paralelo às importantes mudanças sociais acontecidas no século XXI no Brasil, ao boom das pequenas editoras independentes e ao fortalecimento da luta por direitos dos grupos discriminados - estes autores, em sua maioria, representam uma forte literatura que foi surgindo fora dos centros de poder (principalmente as capitais das regiões sul e sudeste do país) e vem sendo premiada, reconhecida e lida na última década. Faz parte deste fenômeno de rompimento com a hegemonia do sul-sudeste a fértil produção indígena, nordestina e nortista, além de autores dos mais variados e distantes interiores do Brasil.  /p p Até esta lírica revolução, a literatura nacional da nova república tinha cara, gênero e classe social: era dominada por homens, brancos e ricos nascidos nos grandes centros urbanos do sul-sudeste. Seu estilo muitas vezes privilegiava a autoficção e sua temática estava mais focada nos dramas internos e no fluxo psicológico do que em grandes acontecimentos ou na narrativa romanesca. A oposição binária a isso seria a literatura periférica-marginal dos artistas das favelas, também vindos dos grandes centros urbanos do sudeste e, muitas vezes, produzindo prosa autobiográfica protagonizada por homens heterossexuais. É possível perceber isso na (boa) série de antologias organizadas por Nelson Oliveira que costumavam demarcar quem era quem a cada geração de escritores brasileiros. Em sua  primeira e influente coletânea ( Geração 90: manuscritos de computador , 2001), Oliveira selecionou 17 contistas, sendo 16 homens (15 deles brancos) e apenas uma mulher. O mesmo percebe-se nas escolhas da revista inglesa Granta para compor seu Os melhores jovens escritores brasileiros , que reuniu  20 autores de todo o país .  Desses 20, todos eram brancos, 14 eram homens e 18 haviam nascido ou no sul-sudeste ou no exterior. Todo o país neste caso referia-se à pequena nação localizada entre as cidades de Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, algumas poucas vezes, Recife, e que vinha dominando a cena cultural nacional nas últimas décadas. Essas possibilidades se deram, acreditamos, não por exclusão, mas ainda, naquele tempo, pela falta de oportunidade e de espaço para que autores de outras localidades conseguissem publicar suas obras.  /p p Hoje, seria tecnicamente impossível selecionar os 25 melhores autores da geração 2010 sem incluir na lista um grande número de mulheres, negros, indígenas e LGBTQIA+. É possível, inclusive, afirmar que os mais competentes escritores contemporâneos não são homens brancos. Mas a intenção aqui não é cravar quem são as melhores penas brasileiras em uma alucinante Olimpíada das letras. Procuramos, isso sim, um recorte que destacasse ótimos autores vindos dos sertões, florestas e, interiores e pequenas cidades do Brasil. Nosso foco foram as narrativas; já que seria outra tarefa mapear os poetas líricos que floresceram na última década. Ao mesmo tempo, buscamos uma perspectiva decolonizada nas temáticas e nos formatos. É possível contar histórias que fujam da fórmula ocidental do conto e arrisquem-se em versos, reflexões e narrativas de origem oral? Pela representatividade de suas obras e afinidade artística incluímos aqui, então, Márcia Kambeba, Mailson Furtado e Ailton Krenak que não são essencialmente contistas .  /p p Destaca-se também a diferença entre a potente geração 2010 e os regionalistas de outrora, pois os escribas de hoje fogem do pitoresco retrato do outro para mergulharem na intimidade e dignidade de personagens tridimensionais, narrando um interior conectado com o universo.  /p p Sabemos também que esta não é uma lista definitiva ou cravada, mas apenas um recorte procurando representar esta geração surgida a partir de 2010, e que, em como toda antologia do tipo, muita gente poderia fazer parte, e só não estão (neste volume) realmente pela dificuldade de espaço e publicação em livro impresso.  /p p Participam desta antologia:  /p p Ailton Krenak  /p p Bruno Ribeiro  /p p Débora Ferraz  /p p Franklin Carvalho  /p p Fred Di Giacomo  /p p Gilvan Eleutério  /p p Isabor Quintiere  /p p Itamar Vieira Jr.  /p p Jarid Arraes  /p p Julie Dorrico  /p p Krishna Monteiro  /p p Mailson Furtado  /p p Marcelo Maluf  /p p Márcia Kambeba  /p p Maria Fernanda Elias Maglio  /p p Maria Valéria Resende  /p p Mariana Basilio  /p p Maya Falks  /p p Micheliny Verunschk  /p p Monique Malcher  /p p Nara Vidal  /p p Natália Borges Polesso  /p p Raimundo Neto  /p p Santana Filho  /p p Victor Guilherme Feitosa  /p
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