Escrever é derramar-se na nossa história e nas histórias de tantos outros, que se deixam afetar pelos nossos escritos. Escrever é uma forma de esperançar. Quando escrevo, eu me reinvento; eu namoro a vida, eu brinco de ser quem não sou, sendo; eu me reconheço como várias meninas e mulheres, sendo una, num só corpo. Eu esperanço porque, inacabada que sou, não me resta outro caminho a não ser afirmar-me e me construir como protagonista da minha história. Eu esperanço, mas não o faço sozinha, eu conjugo este verbo com tantas quantas forem as pessoas que creem na possibilidade da colheita e porque creem; semeiam, e semeando aprendem da paciência histórica: entre a semeadura e a colheita há o tempo de regar, cuidar, ver crescer. Este livro é fruto de uma tecitura, cujos fios entrelaçam o medo e a coragem a fé e a luta, a vida e o sonho, a caminhada e o voo, costurando assim, a minha esperança. Esperançar é um ato político, é um ato de amor; mais que um verbo, um caminho.