Entre Pedras e Cactos é um livro que espelha a luta de milhões de brasileiros pobres e que têm origem nas pequenas cidades do interior brasileiro. Assim como Macabéa (protagonista de A Hora da Estrela, de Clarice Lispector), Davi enfrenta uma existência difícil, com muitas barreiras de classe e injustiças sociais, velhas marcas deste Brasil, mas, é em meio a angústias, dores, titubeios, percalços e algumas vitórias, que ele conquista o leitor, seja pela sua flagrante ingenuidade e timidez ou, ainda, pelas descobertas pessoais e profissionais. A forma que o Narrador encontra para contar a vida deste jovem nordestino é descrever seu cotidiano, suas amizades e relações familiares, sem descartar miudezas cotidianas e percalços existenciais. Trata-se, portanto, de um bildungsroman, romance de formação, uma vez que o leitor segue sua biografia da infância até o início da sua maturidade. E assim acompanhamos com vivo interesse o processo de amadurecimento desde o inicio, de quando este garoto deixou seu interior. Se o livro revela uma vida dura e difícil - como a de milhões de brasileiros-, cle também cativa pelo tom confiante e esperançosa De fato, não há tempo para lamentações aqui. Ao contrário. Davi é carismático do início ao fim da narrativa. E corajoso, seja por resistir às tentações da corrupção ou, ainda, pelo modo simples de ser e agir, não deixando o Autor de realizar importante critica social, além de tecer reflexões sobre o sentido da vida e antigos vícios de políticos locais. Suenio Campos de Lucena - Prof. Ufba