Em Entre Orfeu e Xangô , o autor desenvolve a hipótese de que o período entre 1944 e 1968 no Brasil foi palco de intenso movimento de idéias, debates e ações no sentido de repensar-se antigas tradições de estudos, formas de representação e ideologias sociais, relativas ao lugar ocupado pelos preconceitos e discriminações que se abateram sobre o contingente negro/mulato da população brasileira, configuradores da então chamada democracia racial. Para José Jorge, é dessa movimentação cultural complexa que emerge, em níveis diversos (tanto políticos quanto artísticos e acadêmicos), um novo tipo de consciência sobre os impasses étnicos do país, ensejando críticas sérias à mitologia da democracia racial. Trabalhando criticamente, ao mesmo tempo, a produção de conhecimento específico nas esferas teóricas e no campo da luta social, ele expõe o arcabouço do pensamento coletivo em que se corporifica a nova consciência.