Outra obra de ficção de autor brasileiro é levada às livrarias com a chancela da série estantes romances globais. O livro em questão é em nome do pai dos burros, de autoria do conhecido e consagrado jornalista Sílvio Lancellotti. A pretensão de eleger parâmetros tão excepcionalmente elevados costuma ser realmente um convite ao fracasso, mas Lancellotti desincumbe-se com maestria do enorme desafio a que se impôs: este é um livro à primeira lida tão estranho quanto o título do qual o autor, teimosamente, se recusou a abrir mão. Cada página de cada um de seus dezoito capítulos exerce sobre o leitor um crescente fascínio, que não permite que a leitura seja abandonada antes da última linha. Todo o enredo se desenrola no dia 13 de outubro de 1977 - marcado, na história do brasil, por dois episódios catárticos: a queda do general Sylvio frota, ministro do exército do governo Ernesto Geisel e um dos baluartes da chamada linha dura que remanescia do golpe militar de 1964; e o prime iro título paulista do Corinthians depois de quase 23 anos de dramática abstinência. A jornada de Marcello Brancaleone, um jovem editor, adversário do golpe e torcedor do Corinthians, alinhava esses dois eventos. Jornalisticamente, prólogo e epílogo resgatam os acontecimentos reais. Cada um dos dezoito capítulos se baseia numa cor, num ritmo musical e num órgão do corpo humano. Cada qual tem um formato de texto.