Em tradução inédita no Brasil, a obra italiana Duas Asas (Due Ali) conta a história de Seu Guilherme, que encontra um dia, ao pé do pessegueiro em seu pequeno jardim, um par de asas. Seu Guilherme sai por toda a cidade procurando o dono das asas. As pessoas o consideram louco. Ele, no entanto, acaba por cultivá-las: regá-las com um borrifador como quem rega flores delicadas, imagina seus botões, acaricia-as enquanto assobia uma melodia. A narrativa filosófica, escrita por Cristina Bellemo, ilustrada por Mariachiara Di Giorgio e traduzida por Luciana Baraldi, trata de forma leve e sutil temas como o envelhecimento e a memória, bem como mostra um idoso solitário que é ignorado e tratado como louco pelas pessoas ao redor, mostrando uma solidão que muitas pessoas longevas lidam em seu dia a dia. Suas memórias tornam-se as asas que permitem que ele alce voo, em uma metáfora que apresenta a morte e a vida de forma poética.