Com o presente livro, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães oferece ao público de língua portuguesa uma excelente análise do atual cenário internacional e de suas tendências prospectivas e, ante esse cenário, discute, com a maior lucidez, a posição do Brasil.
O cenário internacional sempre foi, em todas as épocas, aquele em que as grandes potências do período buscam, competitivamente, maximizar suas vantagens e seu poder, e o fazem, de modo geral, às expensas dos países mais débeis. O presente momento histórico se enquadra nessa definição. Mas, diversamente de períodos anteriores, o atual se caracteriza pela hegemonia de uma única superpotência, os Estados Unidos da América.
O império americano , diferentemente dos impérios precedentes, do Romano ao Britânico, não é propriamente um império, em que representantes da metrópole, um pro cônsul ou um vice-rei, apoiados por contingentes militares e burocráticos, dirigem os negócios de províncias ou colônias. O império americano é um campo, no sentido análogo ao que empregamos quando falamos de campo magnético ou campo gravitacional. Seu poder se exerce através de poderosos constrangimentos econômico-financeiros, tecnológicos, culturais, políticos e, quando necessário, militares. Assim é que, no atual cenário internacional, os países controlados pelo império preservam os aspectos formais de sua soberania: bandeira, hino, exércitos de parada e mesmo, nas sociedades democráticas, eleições formalmente livres. Os constrangimentos exercidos pelo império compelem os dirigentes locais, independentemente das intenções destes, a seguir a orientação que lhes impõe o mercado internacional, controlado pelas multinacionais americanas e, no fundamental, as diretrizes de Washington.