No livro damas turcas, de Carlos castelo, que a global editora acaba de publicar na coleção estante policiais paulistanos, o leitor será conduzido à cena do primeiro crime pelo olhar e considerações de preto, um poodle gigante adotado por hayashi: o dj e ativista negro zulu é brutalmente assassinado. Depois, será a vez de maria do amparo, vocalista da banda nordestina mel de tiúba. A partir do crime seguinte - todos com métodos de tortura e a inscrição de frases enigmáticas com o sangue das vítimas -, em busca dos envolvidos, Ruy Levino vai tentar montar seu quebra-cabeças, os crimes pop, como se tivesse terminado uma partida de damas e fosse pegando as peças e colocando-as, uma a uma, em suas casas. No ritmo ágil da escrita de Carlo s castelo - pontuada por frases curtas e diálogos bem humorados - bom de se ver é um cenário repleto de marcas da paulistânia contemporânea: ruas como Teodoro Sampaio, Oscar freire, tabapuã, o elevado costa e silva, uma perseguição policial pelo bairro de pinheiros. O melhor de tudo, além da galeria de tipos marcantes é ver a são paulo esgrafiada - num janeiro eternamente chuvoso - que arrasta o leitor no turbilhão do horror e da ação, e ao mesmo tempo tem seus falsos interstícios de calmaria, e m que o policial caipira tem a seus pés seu dócil poodle, ou se estende na cama com adoráveis prostitutas.