Curva de Rio Sujo mergulha nas zonas turvas da memória, “entre interiorano e urbano, entre realista e estranho”. Inspirado pelo provérbio mato-grossense “curva de rio sujo só junta tranqueira”, o livro constrói uma narrativa fragmentária e inquieta, na qual o movimento é constante. Tendo como cenário as cidades em que o autor viveu, a obra evoca aquilo que é “mais realista que a própria realidade”, como pressente um dos personagens. Recebemos nestas ficções algo do olhar daquele menino que, mesmo ingênuo, é impuro, como todos somos impuros. E vemos Curva de Rio Sujo nos seus segredos menores, revirando, com curiosidade insensata, tudo o que encalha nas margens.