Aprender a ler é coisa maravilhosa. Leva a gente para mundos fascinantes. Foi Pedrinho, meu neto de coração, que me inspirou a cirandar com o ABC. Com seus três anos, ele tinha paixão pelo livro e uma vontade enorme de saber as letras e palavras. Procurei fazer um livro atraente, pintando papéis de várias cores e texturas e recortando as formas para fazer a colagem. Queria que o próprio alfabeto inspirasse experiências gostosas e surpreendentes. Comecei a brincar com rima, som, ritmo, diálogo, jogos, adivinhações, histórias conhecidas com finais diferentes, e o que mais surgisse. Queria motivar a criança e o adulto com coração de criança a cirandar comigo, recitando, cantando, vivenciando a leitura. Também desejava que os leitores descobrissem que escrever pode ser uma experiência de profunda alegria. Somos seres criativos, com imaginação, dinamismo e potencial. Depois de escrever o livro, descobri, com surpresa, que meus amigos adultos, muitos que não sabiam português, se empolgavam com os textos, com as rimas e palavras, e estavam aprendendo o novo idioma com mais facilidade e prazer. Pensei: adultos que estão sendo alfabetizados também poderiam encontrar essa mesma alegria ao ler um livro assim.