CIDADE DAS LETRAS, A
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CIDADE DAS LETRAS, A

Autor: Rama, Angel

Cód.: 108986
R$ 48,00 1 x R$ 48,00 sem juros
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Descrição longa
As referências do autor partem da cultura - sem negar suas pluralidades, interfaces, fronteiras, divisões, tensões e contradições - e incluem temas urbanísticos, sociais e econômicos ao retratar a principal questão sobre a qual discorre o livro - as relações entre os letrados e as estruturas de poder. Por meio desse prisma, Rama estuda a concepção, o planejamento e a consolidação das cidades latino-americanas, desde a destruição da asteca Tenochtitlán, em 1521, até a inauguração de Brasília, na década de 1960. O livro traz o melhor da crítica cultural de Ángel Rama ao analisar o desenho dos valores em pauta na formação das cidades e o discurso urbano da conquista, presente em cartas, grandes clássicos da literatura e outros documentos históricos. Ao revelar as cidades latino-americanas por meio das letras e da ordem dos signos, Rama traça um paralelo entre os projetos urbanísticos e o ideal desejado de urbe limpa, estéril e civilizada. A obra mostra como as cidades do novo continente foram idealizadas e racionalmente estruturadas como um sonho de ordem, desejo antigo dos europeus em sua conquista por uma cidade ideal , em contraposição às caóticas cidades renascentistas surgidas de espaços medievais, orgânicos . Ao longo de seis capítulos, Ángel Rama constrói sua narrativa a partir da definição de cinco momentos históricos vivenciados por esses lugares - a cidade ordenada, a cidade letrada, a cidade escriturária, a cidade modernizada e, por fim, a cidade revolucionária -, a fim de explicar como a imposição dessa organização se tornou estratégica para a dominação da América Latina na era expansionista, oferecendo aos colonizadores páginas em branco , nas quais poderiam colocar em ação seus projetos de cidades ideais até então frustrados. Na concepção de Rama, a cidade das letras foi historicamente o espaço adequado para a ação do setor acadêmico, que usava a universidade como ponte para ocupar esferas de poder, acessíveis apenas àqueles de formação privilegiada. Brilha, na análise de Rama, a consideração do papel dos intelectuais neste processo que, embora vertiginoso de construção, desconstrução e reconstrução, demorou séculos até o nosso vigésimo-primeiro. Este papel se desdobrou em missão sacerdotal, administrativa, escriturária, cartorial, muitas vezes querendo reafirmar os valores europeus diante da barbárie nativa do continente , afirma Flávio Aguiar, no texto de orelha, apontando a função crucial que a classe letrada desempenhava por estar estreitamente ligada às funções do poder. Ao concluir sua tese, Rama defende que o Estado, após quatrocentos anos de monopólio, finalmente deixaria de ser o âmbito por excelência da produção de textos. Em sua visão, a luta pelo controle da palavra escrita descentralizaria seu domínio, reconfigurando não só suas relações com a sociedade civil, mas também entre intelectuais e o público, entre a letra e poder. Originalmente lançado em 1984 - após a morte de Rama -, A cidade das letras conta com apresentação de Mario Vargas Llosa e prefácio de Hugo Achúgar. A edição da Boitempo ganhou especialmente um índice onomástico com uma curta biografia para cada nome citado, um importante acréscimo se considerado o desconhecimento geral, por parte do público brasileiro, dos demais escritores e pensadores latino-americanos.
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