Cartas de Haroldo - É uma sorte que a divulgação póstuma da correspondência de Haroldo de Campos se inicie pela publicação de suas cartas a Inês Oseki-Dépré. Tendo ela, desde muito cedo, representado uma interlocutora para questões literárias e teórico-literárias, vindo a se tornar tradutora e amiga do poeta ao longo de quase quatro décadas de contato, as cartas endereçadas a ela revelam-no em diferentes faces e papéis. Remetidas à França um dos espaços culturais e linguísticos de interesse central para as neovanguardas brasileiras , as cartas documentam contatos com intelectuais e artistas relevantes para a obra haroldiana, além de cobrir um arco temporal representativo da sua trajetória pessoal e intelectual, de 1967, quando a poesia concreta já havia se estabelecido como movimento internacional, até a morte do poeta, em 2003. Além disso, o fato de Inês ser brasileira possibilitou que sua correspondência com Haroldo tenha se dado na língua de escrita do poeta e não nas línguas francas com que ele costumava se corresponder com interlocutores em todo o mundo, algo que as torna um testemunho bastante autêntico da expressiva efusão do poeta e de sua personalidade solar em vida e ao vivo. Por fim, o lugar singular dessa destinatária também é um dos fatores de sorte para os leitores dessas cartas agora acessíveis ao leitor brasileiro.