O livro Caixa preta é um invólucro de alguém que estreia sem subterfúgios, com a narrativa e a poética de quem quer falar, e tem o que falar. Principiando com um inusitado “Poema de uma linha só”: “Leveza, nessa vida, é a linha de partida”, o poeta diz logo de cara a que veio: buscar o espanto criativo, solapar a base estabelecida, duvidar, questionar e liricar. Pois não se é bom poeta sem a prerrogativa da intenção poética. E nisso Nilson Galvão dá mostras de vivacidade muito sagaz e original.