Sou leitora atenta da escritora Ana Fátima. Acompanho seu caminho pela poesia, contos, ensaios e mais recentemente, o embrenhar-se pela produção destinada a crianças e jovens, tão cara e necessária para as gerações que nos sucedem, carentes que são de narrativas que apresente o povo negro de forma digna e positiva.
Fazemos parte de uma geração, ainda que eu anteceda a de Odara, (como assinava anteriormente Ana Fátima) que não chegou a alcançar, pelo menos não na infância, histórias que apresentassem os traços constituintes do nosso diverso e belo fenótipo de forma que nos auxiliasse em nossos processos de nos tornarmos o que somos. As pazes com a imagem refletida no espelho, o amar nossa corporeidade negra, como nos ensina hooks (2000) não era possível a partir da leitura dos títulos disponíveis para nós enquanto crianças e jovens negros. Ocorria o contrário disso. As diversas coleções, usadas, no mais das vezes como paradidáticos, quando não desapareciam com o nosso povo preto, apostava, quase sempre na caricaturização via animalização e/ou demonização dos nossos, causando zombaria, asco, ojeriza por parte daqueles que se identificavam com a ideologia da branquidade, que se sentiam autorizados para efetivar o racismo e seus derivados.