O Brasil é o mais importante país contemporâneo com registros das referências do continente africano fora da África. O desenvolvimento dos grandes regiões econômicas coloniais estruturados na força de trabalho e na tecnologia de referência africana, ao longo dos séculos XVI-XIX, revelam a dimensão econômica e a extensão territorial da presença ampla africana na formação do Brasil. Somente, esses dois componentes estruturais nos possibilitam entender porque o Estado brasileiro, numas perspectiva histórica, foi o território mais acabadamente escravista do Novo Mundo , mesmo com os conflitos políticos e contradições econômico-sociais. Esta é uma premissa básica para a compreensão da extensão demográfica de matriz africana existente no território brasileiro. É este Brasil Africano que tem sido a principal vítima da discriminação e preconceito étnico instaurado secularmente no país, sobretudo pela manutenção de algumas práticas do regime escravista e da ideologia racista na sociedade dominante. Uma das raízes estruturais desse problema está na fixação das imagens hostilizadas ao meio ambiente e aos seres humanos da África, construídas na Europa Moderna a partir do século XV. Um dos efeitos políticos da distorção e da invisibilidade das Áfricas é lugar insignificante e secundário que foi dedicado à sua Geografia e sua Historiografia em todas as Histórias da humanidade. Construir com recursos da cartografia e da fotografia, um panorama geográfico-historiográfico das referências do continente africano e do território afrobrasileiro, visando contribuir para uma outra leitura e compreensão da da formação do território e da população do Brasil, é o principal objetivo do Atlas Geográfico: ÁFRICABRASIL. A publicação está estruturada em sete Partes básicas, oriundas das pesquisas geográficas, cartográficas, fotográficas e historiográficas realizadas no campo e em várias instituições no Brasil, na África e na Europa. Este Atlas é um instrumento fundamental para colaborar na alteração da mentalidade das sociedades resistentes às mudanças sociais e nas políticas pontuais e superficiais do sistema, sobretudo, para subsidiar a adoção de medidas concretas de alteração do contexto secular de exclusão da população de matriz africana no Brasil.