O livro se estrutura como um dicionário alfabético, de A a Z, mas em vez de definições convencionais, cada verbete recebe uma redefinição poética, humorística ou filosófica. Abre com um texto de apresentação intitulado “Palavra”, que funciona comoman ifesto: a autora argumenta que as palavras têm “alma” além da classificação gramatical, e que cada uma delas carrega o próprio significado no corpo sonoro e visual. A partir daí, seguem-se verbetes para cada letra do alfabeto e para centenas de palav ras, de conceitos abstratos a palavras cotidianas. As definições costumam funcionar por analogia inesperada, trocadilho ou reviravolta de lógica. O efeito acumulado é o de um retrato afetivo da língua portuguesa e, por extensão, da condição humana, t ratada com leveza, ironia e uma sensibilidade quase infantil diante da linguagem. Não há enredo ou personagens: a obra pertence ao gênero de literatura lúdica/aforística, próxima da poesia em prosa, e pode ser lida tanto de ponta a ponta quanto abert a ao acaso, verbete a verbete.