A Herança da mãe: Um folhetim
Autor: Mizumura, Minae
Cód.: 158815
R$ 149,90 5 x R$ 29,98 sem juros
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Descrição longa
Um romance de leitura obrigatória sobre os complexos laços da maternidade… lindo e íntimo.
— Washington Post
“Li A herança da mãe avidamente, ele me fez refletir muito sobre nosso tempo e o envelhecimento das mulheres.”
— Natalia Timerman, escritora, psiquiatra e autora do posfácio
Uma mulher de meia-idade, professora de uma universidade em Tóquio, vê-se, de um dia para outro, diante de duas situações incontornáveis: descobre que o marido está tendo um caso com uma mulher mais jovem, ao mesmo tempo que se vê obrigada a cuidar da mãe, uma mulher egocêntrica e exigente, cuja saúde frágil e o início de um processo de demência exigem acompanhamento constante. A herança da mãe – Um folhetim, de Minae Mizumura, parte da crise que se instaura na vida da protagonista para retratar uma classe média que vive entre os resquícios de uma sociedade tradicional e o contato com culturas ocidentais, pondo em xeque alguns valores e deveres impostos, sobretudo, à mulher.
A herança da mãe – Um folhetim foi publicado em capítulos ao longo de quinze meses no diário de maior circulação no Japão. Reconhecida pela inovação e experimentação formal de seus textos, Minae Mizumura se lançou na empreitada do romance-folhetim – essa “tradição moribunda”, como diz –, pensando em abordar ficcionalmente os momentos finais da morte da mãe, que acabara de vivenciar. A reação do público foi imediata. Como é comum em romances publicados em jornais, logo a autora começou a receber cartas de leitores que se identificaram com a questão do envelhecimento, a responsabilização feminina nos cuidados familiares, e a complexa relação mãe-filha. Essa, que é uma preocupação central nas sociedades modernas em que as populações têm vivido mais, superando as médias de expectativa de vida, é especialmente importante no Japão, que tem uma das populações mais velhas do mundo.
Mitsuki Katsura, a protagonista do romance, foge ao estereótipo da mulher japonesa submissa e respeitosa das grandes tradições. Na juventude, passou um período estudando em Paris.
Aos cinquenta e poucos anos, Mitsuki dá aulas de francês na universidade e complementa a renda com traduções de patentes. Não teve filhos, e está prestes a se divorciar do marido, um japonês de família mais modesta, que conheceu quando morou em Paris. Sua personagem é contrastada pela de Natsuki. Sua irmã mais velha, de quem a mãe nunca escondeu a preferência, cumpre com os critérios do que se espera de uma mulher em sua sociedade: um casamento sólido, dois filhos, uma vida financeiramente bem mais confortável. Em comum entre as duas é a relação conflituosa que, cada uma à sua maneira, tem com a mãe.
“Este livro desconstrói muitos clichês, a começar pelo da mãe bondosa”, avalia Natalia Timerman. No posfácio, ela divide com o leitor sua experiência de leitura. “Aos poucos, conforme a hábil Minae Mizumura dispõe de mais elementos, vou compondo a figura dessa mãe tão pouco maternal. Uma mãe ardilosa, manipuladora, egoísta e cruel”, escreve ela, que considera que “as personagens deste livro são tão complexas quanto as histórias que as engendraram”.
Entre culpa e ressentimentos, o romance apresenta ao leitor a infância de Mitsuki e a história da família dessa mãe, filha de uma gueixa, que cresce com uma família “ocidentalizada”, os Yokohama. Detalhe que não passou despercebido ao leitor japonês é que Minae Mizumura reconta assim, de forma ficcionalizada, a trajetória da própria mãe – revelada anos antes com a publicação de uma autobiografia.
E essa não é a única costura entre história e ficção da obra. Professora de literatura em universidades do Japão e Estados Unidos e autora de relevantes ensaios sobre teoria e história literária, Minae Mizumura conta, no romance-folhetim, a trajetória do próprio gênero literário no Japão. Mais de um século antes, em 1897, o Yomiuri Shimbun, o mesmo jornal que publicou A herança da mãe, lançou, também em folhetins, o Demônio dourado, de Koyo Ozaki. A obra tornou-se um marco na história da literatura moderna japonesa devido ao seu grande impacto no hábito de leitura das mulheres.
Em A herança da mãe, Minae usa a avó de Mitsuki como exemplo dessa influência. Inspirada pelo folhetim e identificando-se com o drama da protagonista, ela foge com o professor particular dos filhos e, dessa união, nasce a mãe de Mitsuki e Natsuki. Em entrevista ao crítico literário Benjamin Moser, a escritora resume essa construção: “Peguei a autobiografia publicada pela minha mãe e a entrelacei na história de Demônio dourado, uma história que, por sua vez, está entrelaçada na trama do meu romance como emblemática de um romance-folhetim”.
Essas várias camadas de leitura e análises possibilitadas por A herança da mãe – Um folhetim renderam a Minae Mizumura o reputado prêmio Osaragi Jiro, outorgado por críticos e jornalistas especializados, em 2012. Na ocasião, o romance-folhetim foi considerado o melhor livro do ano tanto entre obras de ficção como de não ficção. A autora já havia sido reconhecida com o Yomiuri – outorgado anteriormente a Kenzaburo Oe e Yukio Mishima –, por Uma novela real (inédito no Brasil).
A Herança da mãe: Um folhetim
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