Ao que me conste, Xavier Marques foi o primeiro ficcionista brasileiro, baiano ainda por cima, a incluir positivamente no romance (“O Feiticeiro”, 1922) aspectos do candomblé. Muito tempo depois, Jorge Amado compartilharia com o Brasil e o mundo cem muitas de suas obras o espaço simbólico da cultura negra do povo baiano, suas crenças mais profundas inspiradas por divindades afro-civilizadoras. Agora Gildeci de Oliveira Leite vem a público numa segunda edição do seu “A Casa do Mistério ou a Casa do Renascimento”, em que ele integra com naturalidade no espaço ficcional o universo litúrgico da tradição afro-baiana, nagô precisamente. A palavra “naturalidade” tem aqui uma conotação forte, porque até então as crenças profundas dos afrodescendentes ingressavam na literatura como instrumento de um projeto ideológico, atinente à singularidade étnica do povo nacional.